Tenho olhar de mulher
e coração de menina.
Tenho gelo que convém aos
fortes,
e tenho o calor da estação.
Pequenos minutos de solidão
Grandes tempos de abastecer
a despensa.
Mas não esquecerei as flores
murchas ao chão.
Tenho o mistério de Allan Poe
Ah, eu tenho!
E o de Cecília se refaz a cada
dia.
Não me venhas com doçura plena
Tampouco amargura.
Talvez, mais além,
como diria Dostoiévski:
"conhecemos o homem pelo
seu riso".
E, devo avisar-te brevemente
Não sou Capitu, mas posso ter
por vezes, aqueles olhos tão
profundos e ardentes.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Afago
Como quem escreveria uma carta
Faço a ti, poesia
A qualquer hora, a qualquer dia
A cada instante tua imagem
se perpetua em minha cabeça.
Maldita seja a saudade!
Saudade que não tem sequer bondade
Rasteja nossas mentes feito arame farpado
Dói n'alma feito temporária ausência
Mesmo que fora, mesmo que seja.
Ponho-me a esperar-te
No portão, na janela, na calçada
Tu vens com seus afagos
E eu com meu violão
Numa unânime canção.
Permita-me fitar teu rosto
Como quem lê mil vezes a poesia
[ preferida ]
Como quem vê uma obra de arte
Como quem admira o sorriso da
[ manhã. ]
Até as estrelas no céu
Remetem um longo véu
Véu de sonhos
Véu de paixão
Esta, de forma alguma, ilusão.
Sentimento intenso como a lua
Forte como um raio de sol
Natural como o vento em minha face
Necessário como o ar
Traz-me forças feito a terra...
Doçura melhor na vida não há
Do que contigo estar
Por entre as folhas secas no chão
Por entre o simples ato de amar.
Faço a ti, poesia
A qualquer hora, a qualquer dia
A cada instante tua imagem
se perpetua em minha cabeça.
Maldita seja a saudade!
Saudade que não tem sequer bondade
Rasteja nossas mentes feito arame farpado
Dói n'alma feito temporária ausência
Mesmo que fora, mesmo que seja.
Ponho-me a esperar-te
No portão, na janela, na calçada
Tu vens com seus afagos
E eu com meu violão
Numa unânime canção.
Permita-me fitar teu rosto
Como quem lê mil vezes a poesia
[ preferida ]
Como quem vê uma obra de arte
Como quem admira o sorriso da
[ manhã. ]
Até as estrelas no céu
Remetem um longo véu
Véu de sonhos
Véu de paixão
Esta, de forma alguma, ilusão.
Sentimento intenso como a lua
Forte como um raio de sol
Natural como o vento em minha face
Necessário como o ar
Traz-me forças feito a terra...
Doçura melhor na vida não há
Do que contigo estar
Por entre as folhas secas no chão
Por entre o simples ato de amar.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Ao meu menino
Menino dos olhos da luz
Como puderas iluminar-me assim?
Viestes feito tempestade:
forte, de súbito, marcante, imprevisível
Explique-me de onde viestes
Mas não ouse pensar para onde vais
[ além daqui, de mim. ]
Seguindo meus passos feito companhia
Atire-me em teu peito e me dê seu afago
Afastes o meu de mim feito quem protege
Fazes de mim teu melhor abrigo
Deites por sobre meu corpo e una
[ tua alma à minha. ]
É novamente primavera...
Traçastes um raio em meu peito
Fizestes dele, amor
Amor que não se findará.
Amor que esperei no parapeito da
[ janela ]
Amor que antes, derrubava-me
[ por entre a tristeza de não poder ]
Amor que tirava meu sono
Amor que queimava por fogo...
Hoje, só amor.
Então fiques, pois tu me fizestes
[ amar como primavera ]
Como quem sempre espera
[ a madrugada chegar .]
Olha, menino, vou te esperar pro jantar
Vou te levar à luz do luar
Chamo-te sem esperar
Levo a toalha à mesa
E o lençol à cama
Como quem ama, pelo gosto de amar.
Como puderas iluminar-me assim?
Viestes feito tempestade:
forte, de súbito, marcante, imprevisível
Explique-me de onde viestes
Mas não ouse pensar para onde vais
[ além daqui, de mim. ]
Seguindo meus passos feito companhia
Atire-me em teu peito e me dê seu afago
Afastes o meu de mim feito quem protege
Fazes de mim teu melhor abrigo
Deites por sobre meu corpo e una
[ tua alma à minha. ]
É novamente primavera...
Traçastes um raio em meu peito
Fizestes dele, amor
Amor que não se findará.
Amor que esperei no parapeito da
[ janela ]
Amor que antes, derrubava-me
[ por entre a tristeza de não poder ]
Amor que tirava meu sono
Amor que queimava por fogo...
Hoje, só amor.
Então fiques, pois tu me fizestes
[ amar como primavera ]
Como quem sempre espera
[ a madrugada chegar .]
Olha, menino, vou te esperar pro jantar
Vou te levar à luz do luar
Chamo-te sem esperar
Levo a toalha à mesa
E o lençol à cama
Como quem ama, pelo gosto de amar.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
"Devagar, sua louca criança.
Você é tão ambiciosa para uma jovem.
Mas se você é tão esperta, me diga porque continua com tanto medo?
Onde está o fogo? Pra quê a pressa?
É melhor você aproveitar isso antes que você perca
Você tem muito o que fazer e tão poucas horas em um dia
Você não sabe que quando a verdade é dita
Você pode conseguir o que quer ou pode apenas envelhecer?
Você vai desistir antes mesmo de passar metade do caminho
Quando você perceberá? Viena espera por você."
- Vienna, Billy Joel.
Olhei no espelho fitando minha face, mais pálida, mais magra, sem vida, sem cor, sem propósito. Não era sempre que me fitava assim, era apenas depois que você aparecia e eu pensava se ia ou se ficava, se partia ou chorava, se ainda assim, ainda agora, amava.
Sempre abria na mesma página, fitava o mesmo espelho, via o mesmo filme e ouvia a mesma música. E o tempo passa, passou, passará! Ainda abro a mesma página, olho o mesmo espelho, vejo o mesmo filme e ouço a mesma música, e sinto falta. Indefinida saudade, sem propósito, nem solução.
Tantas estradas, sonhos, vontades, sentidos e solidão numa quase-companhia, num quase-sonho, num quase-amor. Gostaria que de ser, gostaria que fosse, será que será? O que será que será?! O que será? Será? Seria?
Deito na cama, olho da mesma janela tudo que passa por meus pensamentos. Sabe que, alma de sentidor pensa mais também? Pensa, sente, repensa, sente de novo, só não encontra solução.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Canto do pequeno apreço
Todo dia era dia de olhar a lua, mas ah!, e quando ela se escondia? A pequenina menina já não sabia para qual lado procurar, perambulava todos os cômodos daquela casinha no meio do nada, abria todas as janelas e portas, sentava-se consigo mesma e seu pensamento todas as noites e um pedacinho da madrugada, sentava-se ali, naquele mesmo cantinho sempre, perto do lago. Quando se mudou para lá, dois senhores de meia-idade lhe contaram que bem à noitinha, quando quase nada se ouvia, sabia-se muito, era nítido a voz das sereias, o canto tão doce quanto a brisa que passava no rosto da pequenina... E tão bonito quanto os raios de sol em uma manhã de verão. Nada se via, nada se tornava sólido, mas eis um fato: ela ouvia. Não passava daquele lugar, pois tinha medo de que as sereias a vissem e então nunca mais cantariam. Que triste! Que triste! A pequenina um dia aproximou-se um tantinho mais, sentou-se por entre as rochas, escondendo três quartos do corpo, deixando apenas o rosto curioso se sobressaindo. Pelas barbas de Merlin! Era verdade! Havia mais de uma, não eram muitas, mas o suficiente para que a pequenina abrisse os lábios, tão surpresa como quando os homens de meia-idade lhe contaram sobre o canto. Não ia falar nada, tampouco cantarolar com elas, fotografar? Que os Merlins perdoem a efusão do pensamento! Jamais! Então ela ficou ali por cerca de meia hora, prestou atenção em todos e quaisquer detalhes – mínimos que fossem -, e então fechou os olhos. Acordou uma hora depois, deitada na grama, o canto fora embora... Guardava então, a lembrança. Correu para dentro da casinha, entrou em seu quarto e abrira a janela enquanto procurava ansiosamente por um pedaço de papel inutilizado. A luz do luar – forte, intensa, encantadora – perdurava e fez com que a pequenina não precisasse de luz. Passava as mãos suavemente pelo papel, e depois de alguns instantes lá estava o desenho: as sereias! Ninguém acreditaria se ela contasse, ninguém! De que adiantaria? Além do mais, segredos são tão encantadores... Não? Ela guardaria, tinha até ciúmes de suas descobertas, mas não podia deixar de registrá-las. Registrava cada uma de modo diferente, de um jeito muito dela, era tão peculiar! A garotinha enfiou o desenho dentro de um livro, colocou-o embaixo de seu travesseiro, esticou a cama e deitou-se, como quem iria começar agora uma linda noite de sonhos com Ártemis e Afrodite... Adormeceu.
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