quinta-feira, 12 de julho de 2012

Maquiagem


(Se abristes a nota pelo título, lamento dizer, nem todos os títulos são o que aparentam ser, mas se quiseres saber sobre o despercebido, dê-me cinco minutos.)

Primeiramente, peço desculpas às palavras, e também ao português, pois talvez eu já não seja mais tão boa com meus escritos. O tempo realmente passa e não, não é como andar de bicicleta, você consegue desaprender ou talvez perder o jeito, a prática.
O fato é que há muitas coisas a serem faladas em um pequeno pedaço de papel, há muito medo, anseio, há muita peculiaridade para serem tratos assim, tão facilmente, tão superfluamente... Só quero dizer que andei afastada, afastada de mim mesma, e que sinto saudade, pois aqui sempre me encontrei, recorri à música, apenas, e a meus livros. Também pudera, são palavras! As coisas acontecem enquanto ficamos presos dentro de salas e escritórios, acontecem diante de nossos olhos e apenas apertamos o botão do “fica para depois”. E fica. E enquanto estou embaixo do chuveiro, as ideias parecem se ligar, e eu faço parte de uma luta psicológica sem perceber, eu não sei o que acontece com essas pessoas que moram em cidade grande... Aliás, eu sei! O problema é que não sei como solucionar, e mesmo que soubesse, eu diria que cada um tem a sua própria solução, quem sou eu para dar palpites?
Fico pensando o que são paredes de concreto comparadas aos corredores de árvores que existem, fico pensando como conseguimos sorrir em meio a tantos papéis, projetos, pessoas de cara feia, paredes e cafés gelados...  Penso muito, falo muito, mas não isso, falo qualquer coisa que possa fazer que eu crie uma barreira entre mim e o “você consegue me entender”, e quer saber? Gosto mesmo disso. O problema é quando vira maquiagem. O interior é visto como inatingível, inexistente, igualmente aos sentimentos, arrisco dizer que existem pessoas que nascem sem eles. Não, questão de impossível é outra coisa... Eu digo que é possível, pois o olhar me mostra com clareza. Olhar meu, será? Maquiagem. De novo.
Maquiagem é só consequência. De paredes repintadas a sentimentos escondidos e vazios, eu falo de chegar em casa e ter apenas a vitrola tocando um disco antigo, uma garrafa de whisky e papéis, papéis, papéis... O sofá vazio, o café gelado, a janela pra lua. Você. Só. Só você. É bom estar só, ah, é bom estar só! Mas não use maquiagem, seja só e só. Não se perca por entre as paredes e esquente o café de vez em quando.

E quanto a mim, hoje tomei chá. E consertei a máquina de escrever.